quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Vida é um Moinho

Minha vida é assim...

Corro todo dia, quando toca o sino do trem
voando com a mulekada, até o colo de ninguém.
Meu pé cansado da estrada longa, mostra feridas
enquanto dos bacanas carne branca
Aquelas visões em todos pagam milhões, também
tenho, sem janelas enormes onde segurar, é do alto
daquele prédio que vejo o mundo girar, esperando
ansiosamente para que aquele dia termine, e começe
de outro jeito, em outro lugar.
As balas que vendo no farol, são o sustento da família
meus irmãos, dependem de mim, e quando aquele grandalhão
me mete a mão, e rouba o meu ultimo sustento, é que passa
pela minha cabeça.  
             -O que eu fiz Deus?
Meu corpo já não aguenta de tanta judiação, não se sabe onde
começa e termina o chão, me encolho em qualquer canto, mas  não
ligo de abrir mão de um colchão, para que todos fiquem em paz.
As palavras sujas que saem da boca do meu pai, quase se comparam
com o que vemos em nosso local, mas quem vai ligar pra isso quando
temos onde nos esconder, quando temos onde "morar"?
Seria esse o tipo de moradia que merecemos, que precisamos, onde
está a beleza de cristal que vemos nas casas de televisões.
            -Isso existe mesmo?
E quando naquele dia parece tudo igual, surgem pessoa de nomes
surreais, mostrando um pouco de esperança, mostrando, como é de
verdade um dia das crianças, fazendo dos rostos desnutridos, uma
mascara de sorrisos, tornando aquele brinqueno já usado, no mais bonito
de todos, no mais sonhado da vida, e aquelas criança que choravam, hoje
rier com seus brinquedos na mão, hoje aqueles que não gostavam de suas
casas, vêem as cores tomarem conta da construção.
E mesmo que a sociedade queria excluir a gente, mesmo que aqueles trem
atropelem nossas mentes, temos pessoas que olham por nós, temos muito
mais temos aqueles que doam de suas vidas também sofridas para ver a
felicidade de outro alguém, que nem conhecem.
Então me pergunto, porque os que realmente estão voltados para isto, não
nos enxergam, não pegam uma lata na mão, e vão pintar nossas casas.
Meu pé ainda doi, ainda sou roubada no farol, ainda tenho que ouvir meu pai
xingando toda nossa nação, mas encontrei aquele dia, o cheiro da esperança
pairando pelo ar


A VIDA É UM MOINHO II
http://www.flickr.com/photos/artetude/5063160643/


                                                                                   Confissões de um Moinho

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